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terça-feira, 29 de março de 2011

Nobel







O prémio Pritzker para Souto Moura deixou-me de sorriso nos lábios até hoje!
Parabéns, sr. arquiteto! Gosto da sua obra! Gosto de boas notícias!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Novamente o Aleixo

Foi há quase um ano que por lá passei. Voltei de novo ao local em Março. Hoje cabe-me tarefa semelhante, mas numa perspectiva nova: saber como reagem os moradores às últimas notícias.

Acredito que para tirar de lá alguns moradores só com o apoio da polícia de choque. Não vai ser fácil, não! Mas também sei que muitos agradecem esta solução e esconderam-se anos e anos de opinar sobre o assunto com medo de represálias.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

De volta!


Os eléctricos vão regressar ao centro da cidade, entre o Carmo e a Praça da Batalha. Isto acontece 112 anos depois da inauguração da primeira linha de carros eléctricos no Porto e cerca de 30 anos após terem deixado de circular nesta zona.

Sou fervorosa pelos eléctricos! Fazem parte de mim, cresci com eles. Durante quase uma década utilizei este meio de transporte, não poluente, todos os dias para ir e vir da escola. Erámos muitas amigas a usar o eléctrico, a Linha 18, mais concretamente. Ao chegar ao Castelo do Queijo mudávamos a linha e tudo!
Muito bem vindo, srº eléctrico! Votos de muito sucesso!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Aleixo


10:40, entro naquele bairro do Porto, vou em serviço. Desço a rua que lhe dá acesso e imediatamente vejo cerca de 20 toxicodependentes junto à porta do Bloco1, à espera que o traficante os atenda. Jovens, mas não só. Mais homens que mulheres.
Continuo a descer a rua e vejo uma data de mulheres sentadas num pequeno muro, mesmo em frente à escola, que está fechada. As mulheres falam de nada! Estão ali, como que a marcar o ponto.
Pouco movimento de carros, muitos pássaros nas árvores, grandes plátanos que estão carregados de folhas.
De frente virado para o Douro, com uma vista priveligiada, aquele bairro é um supermercado de droga. Toda a gente sabe mas poucos fazem alguma coisa.
Em blocos de 13 pisos, muito degradados, cujo azulejo exterior é de um amarelo insípido, vivem homens, mulheres, crianças, famílias.
Pobreza, desemprego, toxicodependência e outros temas semelhantes caracterizam o bairro.
Olho para aquelas mulheres sentadas no muro, sei que repetem aquele ritual dia após dia. Não trabalham, vivem do rendimento social de inserção.
Olho para os drogados encostados ao Bloco 1, sei que têm um problema de saúde, que precisam de ajuda.
Olho para as torres, reparo nas inúmeras antenas parabólicas da TV Cabo ali instaladas.
Penso no futuro daquelas crianças....
Quem entra no Bairro do Aleixo, mesmo que precavido pela fama do tráfico de droga que por ali se faz às claras, não pode conter o choque. Se o cartão de visita não é bom, o restante não é melhor.

Em casa, encontro um blogue dedicado ao bairro. Aqui fica um post do seu autor, Hélder Sousa.

A Primavera no Bairro
Até há quem se sinta mais alegre, mais excitado. Noto um aumento de afluência de carros e de pessoas a pé. Os novos edifícios ao fundo da rua já estão habitados e trazem algum movimento saudável ao Bairro. Há pessoas que não fazem compras a circular.
É importante lembrar que o Bairro do Aleixo tem duas faces distintas, mesmo que concorrentes: as pessoas que vivem no Bairro e nas ruas envolventes e as pessoas que não vivendo aqui, passam cá os seus dias ou, pelo menos são presenças assíduas nas entradas dos prédios, nos poucos baldios que ainda existem, nas ruas e nos passeios. Dentro destas há ainda presenças mais ou menos assíduas, algumas que eu reconheço outras que me parecem sempre novas, sempre diferentes. Mas isso também tem a ver com os cabelos e com as barbas que crescem e escurecem.
Até há bem pouco tempo, antes de abrirem a nova rua junto ao edifício do centro comercial, que liga a Rua do Campo Alegre aos novos edifícios, as pessoas que cá vinham comprar alguma coisa paravam o carro junto à igreja ou na curva, junto ao muro do quintal da igreja, nas Condominhas. Desciam a pé até ao Bairro para depois voltar. Era também normal esperar na rua, lá em cima, alguém vinha ter com eles e tratavam do negócio. Agora, com uma nova ordem na circulação de carros e de pessoas o centro do movimento passou mais para baixo, mesmo junto à primeira torre. Apesar dos novos edifícios terem seguranças vinte e quatro horas por dia, eles não interferem no movimento habitual. Alguns estão até a estudar formas de potenciar rendimentos extraordinários através da rentabilização da proximidade que têm com os edifícios sede do Bairro.
Estava a falar do aumento de frequência de pessoas no início da Primavera. É fácil de prever um maior movimento de clientes ao fim de semana e em noites de lua cheia. Quando chove o negócio não é bom. Quando há notícia de alguma grande apreensão de estupefacientes, os clientes amontoam-se mas não há mercadoria. Há sempre uma explicação mais ou menos lógica para as flutuações de mercado no Bairro. É só preciso estar atento e falar com as pessoas especialistas na análise dos movimentos.
O factor importante que justifica o aumento do número de pessoas que procura o Aleixo, agora, é a Primavera e o calor. O ar fresco do rio e do mar ajuda à criação de uma mística em torno do Bairro. As noites começam a ser mais agradáveis. Tenho pena de ultimamente não ter muito tempo disponível para estar a par das novidades do mercado. Chegou-me aos ouvidos que a heroína está a aumentar de preço e que a cocaína, pela crescente oferta está a baixar de preço. Até agora o que mais se procurava era heroína e, quando muito, bases de coca. Têm havido alguns esforços concertados dos vários estados exportadores e produtores de coca para que o preço baixe e assim aumente o consumo. Só com muita procura é possível justificar os acordos com os governos importadores.