Depois de descobrir que a única maneira de abrir a porta de casa sem ferir susceptibilidades era convidar todos e... haja fé em Deus (podendo reunir avós, ex-mulheres do avô, padrinhos, primos e tios), a T. teve este ano direito a DUAS festas de anos!
Foram dias intensos, de muita agitação, muitos presentes (em demasia), muitas guloseimas e, acima de tudo, muitas emoções.
Dia 28 com a família toda (que conseguiu sei-lá-como marcar o ponto para dar um beijinho à T. em horas desencontradas) e dia 29 com os amigos do colégio.
Com tanta emoção a coisa tinha que rebentar e ontem à noite, já nitidamente muito cansada com os festejos, explodiu!
A fragilidade que referi no post anterior apareceu. Já a esperava há muito tempo, mas só sob pressão se manifestou. Melhor assim, penso eu, mais vale tarde do que nunca.
Ao fim de 2 anos manifestou directamente os ciúmes que sente pela irmã, que, de facto, espalha graça e charme pela casa, estraga desenhos e trabalhos, pega no que não deve, usa e abusa da bondade da T.
Depois de afirmar o quanto gostou das festas e dos mimos que recebeu, chorou, mostrou o seu desconsolo, o seu sofrimento. Consegui que dissesse que, do seu ponto de vista, nós, pais, damos muito mais atenção à P. do que a ela.
Ó mãe, porque se ela se magoa vocês vão logo lá dar-lhe colo. E ficam com ela muito tempo. Quando sou eu, tu dizes sempre já passou e mais nada!", exemplificou.
Abraçadas, conversamos. Expliquei-lhe que o amor que sinto por ela é igual ao amor que sinto pela irmã, e que quando nascer a 3ª eu vou conseguir amar todas da mesma maneira. Tentei fazer com que percebesse que a diferença está na idade, que a P. é bem mais pequena, o que faz com que eu tenha, por vezes, de lhe dar mais atenção.
Referi também que o dia acaba por ser pequeno para se fazer tudo o que se quer, o que faz com que tenha que seguir o meu relógio e não o (imaginário) dela.
"Por isso muitas vezes me zango contigo depois de já te ter chamado 3 ou 4 vezes para o banho ou para vires para a mesa...", sustentei.
Argumentei ainda que só tenho dois braços e duas pernas e que não posso estar em duas situações ao mesmo tempo, tendo ela (bem como a irmã) que aprender a esperar.
A reboque veio o desagrado por só frequentar a natação quando as amigas têm duas actividades.
Mea culpa. A opção, contudo, tem um só objectivo: "Assim podes ir para a piscina quando quiseres sem o pai e a mãe se preocuparem. É muito importante saber nadar e a natação é um desporto completo, que te permite aprender muito mais do que só saber nadar".
"Mas isto e aquilo, porque a não-sei-quantas anda também no ballet e mais isto e aquilo...", ainda disse ela.
Ok, ficamos entendidas, se no próximo Verão a questão como-sobreviver-sozinha-na-piscina-sem-braçadeiras estiver completamente resolvida podemos equacionar inscrevê-la noutra actividade. Este ano não. Além do mais já não há vagas nas outras actividades!
"Mãe, o que é vagas????"
O jogo das cadeiras serviu para explicar o significado!
Adormeceu tranquila. Espero que o seu sorriso meigo regresse agora em força.
Tenho 37 anos, sou mãe da Totas, da Pisco e da bebé L. Vivo numa azáfama entre a casa e o trabalho.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
6
Foi há 6 anos. Numa fria manhã, mas cheia de sol, dei entrada no hospital. Não sabia muito bem o que me esperava, temia (e ainda temo) falhar enquanto mãe, pensava (e ainda penso) se seria capaz de cumprir esta tarefa.
Depois de 5 horas em trabalho de parto começaste a portar-te mal, como disse o médico, e fui levada para o bloco, onde passados minutos te vi e senti, cara a cara, pela 1ª vez.
Hoje sou um ser pequenino, com as emoções descontroladas, de lágrima no canto do olho.
Neste teu dia, olho para ti, vejo-te grande, mas ao mesmo tempo frágil, e só peço a Deus para que sejas imensamente feliz!
Um beijo enorme,
Mãe
Depois de 5 horas em trabalho de parto começaste a portar-te mal, como disse o médico, e fui levada para o bloco, onde passados minutos te vi e senti, cara a cara, pela 1ª vez.
Hoje sou um ser pequenino, com as emoções descontroladas, de lágrima no canto do olho.
Neste teu dia, olho para ti, vejo-te grande, mas ao mesmo tempo frágil, e só peço a Deus para que sejas imensamente feliz!
Um beijo enorme,
Mãe
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Discurso carnavalesco
Hoje, numa sapataria, enquanto um empregado confirmava se havia os sapatos que eu queria num determinado número, duas outras funcionárias conversavam alegremente:
Ai, eu este ano bou bestida de gata tigresa!
Bais??
Bou... no ano passado fui de Lolita, sabes, mas este ano bou de gata tigresa.
E fiquei a imaginar a gata, e um fatinho tigresa naquele corpinho... e depois também realizei que não sei o que um disfarce à Lolita!
Pior, pior foi pensar que daqui a um mês é Carnaval (que não gosto) e é preciso vestir as crianças.
Ai, eu este ano bou bestida de gata tigresa!
Bais??
Bou... no ano passado fui de Lolita, sabes, mas este ano bou de gata tigresa.
E fiquei a imaginar a gata, e um fatinho tigresa naquele corpinho... e depois também realizei que não sei o que um disfarce à Lolita!
Pior, pior foi pensar que daqui a um mês é Carnaval (que não gosto) e é preciso vestir as crianças.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Novas personagens
Desde há 2 semanas que temos novos papéis cá por casa.
Eu sou a avozinha, o pai o lobo mau, a mana o caçador e ela o capuchinho. E o discurso anda sempre neste registo.
Não responde pelo nome e rapidamente afirma ser capuchinho.
Se chamo o pai, vem logo dizer-me que ele "não é o pai, é o lobo mau".
Se lhe digo algo como "a mãe está a fazer o jantar", adianta que eu sou a avozinha... and so on!
(Quem achou muita piada à ideia foi o pai, porque assim já tem desculpa para andar sempre atrás da avozinha lol).
Eu sou a avozinha, o pai o lobo mau, a mana o caçador e ela o capuchinho. E o discurso anda sempre neste registo.
Não responde pelo nome e rapidamente afirma ser capuchinho.
Se chamo o pai, vem logo dizer-me que ele "não é o pai, é o lobo mau".
Se lhe digo algo como "a mãe está a fazer o jantar", adianta que eu sou a avozinha... and so on!
(Quem achou muita piada à ideia foi o pai, porque assim já tem desculpa para andar sempre atrás da avozinha lol).
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Mãe tirana??!
Não quis experimentar o prato de bacalhau ao jantar. Namorou a fruta à sobremesa, com os olhos. Quando a irmã lhe ofereceu um gomo de maçã respondeu que não podia comer, porque o prato do jantar estava intacto.
Foi para a cama só com a sopa. Percebeu a ideia: se não há fome para o bacalhau não há fome para mais nada!
Mas quando estava já deitada pediu "a comida".
Respondi que não, que a hora do jantar já tinha acabado. Adormeceu sem problemas.
Foi para a cama só com a sopa. Percebeu a ideia: se não há fome para o bacalhau não há fome para mais nada!
Mas quando estava já deitada pediu "a comida".
Respondi que não, que a hora do jantar já tinha acabado. Adormeceu sem problemas.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Festejar o "Knut"
Isto de estar de molho dá (tempo) para pensar!
Crianças na escola às 09:00 e o resto da manhã por aqui, vegetando no sofá com o portátil no colo. Uma espreitadela aqui e outra acolá e os resultados já estão semi à vista!
A casa anda em mudanças. Já estamos a preparar a chegada da 3ª Maria, organizando o quarto delas, o quarto/escritório/arrumos e o nosso espaço.
Aproveitando a celebração do KNUT, a coisa vai ao sítio!
Hoje chega um sofá novo (que isto agora é mais barato comprar um novo do que mandar arranjar e estofar o velho), uma secretária (já a pensar no 1º ano da T.) e duas estantes.
As 3 Marias ficarão juntas no mesmo quarto. Os brinquedos passam para o escritório, que vai surgir de cara lavada.
(e só me custa acreditar como foi possível acumular tanta tralha em 8 anos de casa!)
E a troca (para breve) de carro é inevitável...
Crianças na escola às 09:00 e o resto da manhã por aqui, vegetando no sofá com o portátil no colo. Uma espreitadela aqui e outra acolá e os resultados já estão semi à vista!
A casa anda em mudanças. Já estamos a preparar a chegada da 3ª Maria, organizando o quarto delas, o quarto/escritório/arrumos e o nosso espaço.
Aproveitando a celebração do KNUT, a coisa vai ao sítio!
Hoje chega um sofá novo (que isto agora é mais barato comprar um novo do que mandar arranjar e estofar o velho), uma secretária (já a pensar no 1º ano da T.) e duas estantes.
As 3 Marias ficarão juntas no mesmo quarto. Os brinquedos passam para o escritório, que vai surgir de cara lavada.
(e só me custa acreditar como foi possível acumular tanta tralha em 8 anos de casa!)
E a troca (para breve) de carro é inevitável...
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Experiências
A mais nova brincava enquanto eu repousava no sofá. Chama-me, diz que lhe dói o nariz. Vamos até à casa-de-banho lavar o dito. Chora, diz que dói ainda mais o nariz.
Inspecciono e, com uma cotonete, aparece algo azul-pró-turqueza. Faço o diagnóstico: enfiou plasticina no nariz!
Com uma lanterna consigo ver uma bola lá dentro. Retiro-a... passados uns minutos ela queixa-se de novo. "Oh Deus, lá vamos nós ter que ir a uma urgência", pensei.
Peço-lhe para assoar o nariz e lá saiu mais uma bola azul-pró-turqueza!
Dou-lhe um raspanete, explico que é asneira e, com a maior das latas e naturalidade, responde-me:"é uma catota, mãe!"
Brincadeiras de quem tem 2 anos!
LIÇÃO para a mãe: NUNCA MAIS ter a plasticina da irmã à mão de semear.
Inspecciono e, com uma cotonete, aparece algo azul-pró-turqueza. Faço o diagnóstico: enfiou plasticina no nariz!
Com uma lanterna consigo ver uma bola lá dentro. Retiro-a... passados uns minutos ela queixa-se de novo. "Oh Deus, lá vamos nós ter que ir a uma urgência", pensei.
Peço-lhe para assoar o nariz e lá saiu mais uma bola azul-pró-turqueza!
Dou-lhe um raspanete, explico que é asneira e, com a maior das latas e naturalidade, responde-me:"é uma catota, mãe!"
Brincadeiras de quem tem 2 anos!
LIÇÃO para a mãe: NUNCA MAIS ter a plasticina da irmã à mão de semear.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Identidade
Existem já dois nomes possíveis para a Maria embutida. Decidir é que está difícil. Por mim, quando nascer, depois de olhar para a sua cara, escolho!
(Curiosamente começam os dois por L.)
(Curiosamente começam os dois por L.)
Prorroguei a baixa. Mais um mês de sofá pela frente! (esquecendo as obrigações familiares)
Uma ida ao centro de saúde para marcar o ponto junto de uma médica de família que vive para os doentes e odeia as burocracias, as imposições.
Só a conheço por causa das baixas, que pedi no final das gravidezes anteriores.
Então, J., o que se passa? -disse, sem olhar para mim.
É a baixa, blá, blá, blá...
Ah, pois! Claro! Desculpe, ainda não tinha olhado para si... - afirmou.
Meti conversa. Questionei-a sobre a existência, ou não, de monotonia no seu trabalho, uma vez que reparei que tem que "despachar" muitos doentes numa manhã de trabalho.
Monotonia nunca, porque cada caso é um caso e a sua missão é ser a 1ª médica a descobrir o que se passa com cada um dos seus doentes. Mas muito desgaste, por força do sistema administrativo, que lhe marca doentes de 15 em 15 minutos.
Como posso eu apostar na prevenção, conversar com os utentes, para os conhecer, se me dão 15 minutos para cada um? - desabafou.
Compreendo... é a tal história da produtividade: o que interessa é facturar (neste caso aviar doentes) sem apostar na qualidade da prestação do serviço - respondi.
E ali ficámos, a conversar sobre o sistema, o estado actual e o rumo do nosso país.
Quase que me despedia da médica com um beijinho...
Uma ida ao centro de saúde para marcar o ponto junto de uma médica de família que vive para os doentes e odeia as burocracias, as imposições.
Só a conheço por causa das baixas, que pedi no final das gravidezes anteriores.
Então, J., o que se passa? -disse, sem olhar para mim.
É a baixa, blá, blá, blá...
Ah, pois! Claro! Desculpe, ainda não tinha olhado para si... - afirmou.
Meti conversa. Questionei-a sobre a existência, ou não, de monotonia no seu trabalho, uma vez que reparei que tem que "despachar" muitos doentes numa manhã de trabalho.
Monotonia nunca, porque cada caso é um caso e a sua missão é ser a 1ª médica a descobrir o que se passa com cada um dos seus doentes. Mas muito desgaste, por força do sistema administrativo, que lhe marca doentes de 15 em 15 minutos.
Como posso eu apostar na prevenção, conversar com os utentes, para os conhecer, se me dão 15 minutos para cada um? - desabafou.
Compreendo... é a tal história da produtividade: o que interessa é facturar (neste caso aviar doentes) sem apostar na qualidade da prestação do serviço - respondi.
E ali ficámos, a conversar sobre o sistema, o estado actual e o rumo do nosso país.
Quase que me despedia da médica com um beijinho...
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